sexta-feira, 11 de junho de 2010

Acontece



Às vezes hoje
não é hoje,
é ontem,
ou quem sabe,
amanhã

sábado, 29 de maio de 2010



A anárquica dança
das lembranças
esvazia o passado

Todos os nomes Maria tem





Nossa Senhora do Atropelo,
livra-me do pecado
antropomórfico

Multiplica-me

domingo, 23 de maio de 2010

Diário da Av Paulista, domingo, 23 de maio



Duas velhas com bengalas. Fiquei em dúvida se seriam mãe e filha.
Minha neta garantiu que não, deveriam ser amigas. Minha dúvida permaneceu, mas entrei na de Analu, a neta de dezesseis anos. Penso ser chocante para Analu mãe e filha usarem bengalas juntas. Uma delas deveria ser bem mais moooçaaa. Enfim, oços do ofício. E aqui o ofício é a vida.

Um homem Lillás passou por nós, tomando refresco. Um homem todo lilás, roupa e sapatos Croc, lilás.

E o grupo do "Abraço de Graça", diante de nós, na frente do MASP. Éstamos em quatro. Não me atirei nos braços que me atraiam. Os companheiros (marido neto e neta) se rebelariam. Analu, minha neta, compreendeu o chamado: "As pessoas são fechadas, pedem que se abram". Analu se atirou num abraço, e eu a segui. Que maravilhoso se abrir!!!!!!!!!!!! Revolucionário. Um abraço pode ser revolucionário.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Morte e renascimento





O passado bate asas
e voa

Renasço sandálias

e penugem beija-flor

Hoje doeu



estar afastada
do mundo mágico do Cerrado,
lugar de horizonte mar,
a terra onde nasceu.

A vida doeu e ela
se sentiu esquisita

No peito a bronquite,
ninho de gato,
ronronou


Perdeu a Língua Materna
e sentiu-se analfabeta

O que a salvou de gravitar
e tornar-se
uma lua gelada,

foi o peso da gravidade,
ao jogar uma maçã em sua testa

A cabeça gemeu
mas a alma agradeceu

Hoje usou a dor
para acordar mais um pouco
da ameaça do sono
letárgico