sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A caixa dos três segundos...



... ensina a parar o mundo.
Pare três segundos antes de falar ou agir.
Se possível até de pensar.
Pare.
Aí o mundo para
e você descansa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tempocídio


Quando o pai não voltou nunca mais, a mãe contou à menina que ele ficou na estrada. Cresceu e passou a vida procurando o pai e salvando homens. Da estrada. Deixar de procurar o pai não fez para ela o mundo diferente.  Rasgou papel, apagou textos, pintou quadros _ nada mudava.  Matou o pai e encontrou a Morte.  Desde então, toda certeza desmatelada em poça d´agua, menos uma _ a Morte existe, e se o tempo para os mortais é curto, usá-lo mal é crime.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Indiferenças





Entre a estrada e o burgo
o viajante,
mero intervalo



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Escrever Escrever



Cada vez menos
só quando
e se tiver
o que dizer

ATESTO



Calor verde

e pássaros

Eu, um intervalo
custo a crer,

mas o vermelho
na faixa
de concreto

as bandeirinhas
e o vento bailarino

são de verdade

terça-feira, 23 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

Ou Isto ou Aquilo _ poema de Cecilia Meireles




Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.