A comadre
Moema Borges e sua horda de afilhados e afilhadas, para ela, reis e rainhas. E suas comadres, cada qual intimamente ligada e se sentindo única. E ao mesmo tempo se reunindo umas às outras, se tornando amigas, aglutinadas em torno da comadre Moema. Até merece inventar uma etiologia para a palavra “comadre”: “co-madre(s): mulheres sendo mães juntas, dividindo, trocando, compartilhando experiências, no gerúndio”. As comadres da Moema, uma confraria, a irmandade feminina amando crianças, meninada bonita que crescia conosco e aos nossos olhos, festa barulhenta e divertida. “Comadre”, certamente, também é simbólico, como tudo o que diz respeito ao humano. Não importa quem Moema batizou. Em torno dela se reuniram mulheres, homens e crianças, pessoas de diferentes credos, crenças, idades e etnias, tribo a qual tantos pertencemos. Se batismo tem o sentido de iniciação, Moema iniciadora amorosa, incentivadora nunca autoritária, propiciava.
Na verdade, cada pessoa das famílias de quem Moema se aproximava a queria, e com ela usufruiu. Tão amada, muitos de nossos jovens a quiseram madrinha de casamento, e ela subiu a muitos altares. Em cada encontro abria o sorriso de olhos verdes e os braços aconchegantes, dizendo: “Coooooomaaaaaadre”. Ou, “Amiiigaaaaaaaaaa”. Ou “Queeeeeeriiiiiiiidaaaaaaa”.
Aprendi tanto com ela! Cada dia uma novidade, algumas pragmáticas, outras sonhadoras. No nosso caso, duas arianas tão diferentes, e tão parecidas. Nossas mães, o mesmo nome, Mariinha. Nossos filhos regulando em idade. Deliciosa contadora de histórias. Em uma delas, a sua avó, recém-parturiente, amamentando sua criança. A avó morava “na Fazenda”. Diferentemente dos outros filhos, aquele bebê passava fome, o leite da mãe não o sustentava. Chorava, e a mãe não sabendo o que fazer, chorava também. Um dia, acharam a jiboia que morava no teto, e na calada da noite descia sorrateira, para sugar o leite da mulher adormecida. Alguém matou a cobra, e rasgada sua barriga o leite ainda fresco escorreu, nem tempo de talhar. Contei à comadre que esta história ganhou mundo e virou lenda, pois, primeiro soube dela através do meu avô, quando pequena. Aquela mulher com sua criança, e aquela cobra, povoam ainda hoje meu imaginário.
Irmãs não consanguíneas, eleição mútua, linhagem espiritual que se vive e não se explica, também discordávamos, no trocar ideias, no teimar. Afinal, arianas, né? Nossa concepção de vida e mundo, esta sim, da mesma cosmologia. Em determinado momento no campo dos debates começávamos a rir uma da outra, e cada qual de si, “Nooossaa Senhoora!” Nunca nos despedimos sem imaginar e combinar o próximo encontro.
Feminina e original, a comadre gostava de se vestir. Nunca escondeu procedências e endereços, dava-os de bandeja, e seus fornecedores e fornecedoras passavam a fazer parte da tribo de amigos, do bando. Na cozinha arrasava, em pouco tempo a mesa era um banquete, fosse comida goiana-mineira, ou das mais sofisticadas, lanches, almoços, jantares. Inventava doces, compotas de frutas, bolos tortas, biscoitos. Chamava de “comida de Deus”. Em meio ás delícias culinárias, correram saraus literários e de artes em geral, ela nos cercava de beleza. Arquitetou a reforma do apartamento em que moramos hoje, o compadre dela e eu. Adorou nos ter na Avenida Paulista. Bastava um telefonema para combinar o que fazer: um filme na Reserva? Um café na Cultura? Passar na Fnac? Na Martins Fontes? Tomar o metrô e comprar o pão dos beneditinos? E lá íamos braços dados falando e rindo de qualquer bobagem, tecendo sociologias do povo que cruzava conosco, do que nos cercava, filosofando. Tecelãs, tramando e urdindo, e nos sentindo parte das horas, das pessoas e dos acontecimentos. Vivas na vida, lúdicas, e levando viver muito a sério, vivíamos no tempo. Não é possível falar da Moema no geral, e tenho certeza, cada amiga, amigo, comadre ou compadre, terá infinitas lembranças e histórias para contar. E os afilhados e afilhadas? Nossa Moema de Freitas Borges continua em cada um de nós.
Moema Borges e sua horda de afilhados e afilhadas, para ela, reis e rainhas. E suas comadres, cada qual intimamente ligada e se sentindo única. E ao mesmo tempo se reunindo umas às outras, se tornando amigas, aglutinadas em torno da comadre Moema. Até merece inventar uma etiologia para a palavra “comadre”: “co-madre(s): mulheres sendo mães juntas, dividindo, trocando, compartilhando experiências, no gerúndio”. As comadres da Moema, uma confraria, a irmandade feminina amando crianças, meninada bonita que crescia conosco e aos nossos olhos, festa barulhenta e divertida. “Comadre”, certamente, também é simbólico, como tudo o que diz respeito ao humano. Não importa quem Moema batizou. Em torno dela se reuniram mulheres, homens e crianças, pessoas de diferentes credos, crenças, idades e etnias, tribo a qual tantos pertencemos. Se batismo tem o sentido de iniciação, Moema iniciadora amorosa, incentivadora nunca autoritária, propiciava.
Na verdade, cada pessoa das famílias de quem Moema se aproximava a queria, e com ela usufruiu. Tão amada, muitos de nossos jovens a quiseram madrinha de casamento, e ela subiu a muitos altares. Em cada encontro abria o sorriso de olhos verdes e os braços aconchegantes, dizendo: “Coooooomaaaaaadre”. Ou, “Amiiigaaaaaaaaaa”. Ou “Queeeeeeriiiiiiiidaaaaaaa”.
Aprendi tanto com ela! Cada dia uma novidade, algumas pragmáticas, outras sonhadoras. No nosso caso, duas arianas tão diferentes, e tão parecidas. Nossas mães, o mesmo nome, Mariinha. Nossos filhos regulando em idade. Deliciosa contadora de histórias. Em uma delas, a sua avó, recém-parturiente, amamentando sua criança. A avó morava “na Fazenda”. Diferentemente dos outros filhos, aquele bebê passava fome, o leite da mãe não o sustentava. Chorava, e a mãe não sabendo o que fazer, chorava também. Um dia, acharam a jiboia que morava no teto, e na calada da noite descia sorrateira, para sugar o leite da mulher adormecida. Alguém matou a cobra, e rasgada sua barriga o leite ainda fresco escorreu, nem tempo de talhar. Contei à comadre que esta história ganhou mundo e virou lenda, pois, primeiro soube dela através do meu avô, quando pequena. Aquela mulher com sua criança, e aquela cobra, povoam ainda hoje meu imaginário.
Irmãs não consanguíneas, eleição mútua, linhagem espiritual que se vive e não se explica, também discordávamos, no trocar ideias, no teimar. Afinal, arianas, né? Nossa concepção de vida e mundo, esta sim, da mesma cosmologia. Em determinado momento no campo dos debates começávamos a rir uma da outra, e cada qual de si, “Nooossaa Senhoora!” Nunca nos despedimos sem imaginar e combinar o próximo encontro.
Feminina e original, a comadre gostava de se vestir. Nunca escondeu procedências e endereços, dava-os de bandeja, e seus fornecedores e fornecedoras passavam a fazer parte da tribo de amigos, do bando. Na cozinha arrasava, em pouco tempo a mesa era um banquete, fosse comida goiana-mineira, ou das mais sofisticadas, lanches, almoços, jantares. Inventava doces, compotas de frutas, bolos tortas, biscoitos. Chamava de “comida de Deus”. Em meio ás delícias culinárias, correram saraus literários e de artes em geral, ela nos cercava de beleza. Arquitetou a reforma do apartamento em que moramos hoje, o compadre dela e eu. Adorou nos ter na Avenida Paulista. Bastava um telefonema para combinar o que fazer: um filme na Reserva? Um café na Cultura? Passar na Fnac? Na Martins Fontes? Tomar o metrô e comprar o pão dos beneditinos? E lá íamos braços dados falando e rindo de qualquer bobagem, tecendo sociologias do povo que cruzava conosco, do que nos cercava, filosofando. Tecelãs, tramando e urdindo, e nos sentindo parte das horas, das pessoas e dos acontecimentos. Vivas na vida, lúdicas, e levando viver muito a sério, vivíamos no tempo. Não é possível falar da Moema no geral, e tenho certeza, cada amiga, amigo, comadre ou compadre, terá infinitas lembranças e histórias para contar. E os afilhados e afilhadas? Nossa Moema de Freitas Borges continua em cada um de nós.



Usted está muy feliz de ayudar.
Me pongo cuando creé mi blog he encontrado varias dificultades. Sólo después me enteré de algunas cosas con el tiempo.
Trato de explicar cómo agregar el traductor. Con la esperanza de ayudarle. Así que cuando me vienen a visitar se hace más fácil para mí y para otros para entender su contenido.
Luego, en la página del blog en la esquina superior derecha hay un icono con las palabras de arriba y luego haga clic en Diseño en el lado izquierdo de la página se verá voces diferentes ... lo que tienes que hacer clic en el DISPOSICIÓN elemento de la pantalla que aparece haz clic en el elemento Añadir Gadget después de la verás muchos gadgets, pero basta con hacer clic en el elemento y después de agregar el TRADUCTOR GOOGLE guardar el diseño.
Espero haber sido claro, ya sé que no es muy fácil, pero verá usted tenga éxito y nos vemos pronto besos
Vi que ya se han resuelto. Brava. Un abrazo