Tanico e Pipo,
gatos
que me protegem
das estrelas
Tina, minha avó,
está com eles
Na Terra Flora
me cuida,
Olímpia,
irmã gata,
companheira de brincar
sábado, 3 de julho de 2010
CONVALECENÇA
Ao perceber o engodo, pedi uma batida de limão para rebater a danada.
Conto:
Foi na terça feira.
Hoje, sexta, pareço a sereia de quem a bruxa roubou a voz.
A gripe se transvestiu de mulher _ loira, vestida de seda azul, sapatos dourados.
Eu lá no Largo do Arouche, a confundo com uma amiga de infância, a Regina. Nos abraçamos como se ontem. Não nos víamos há vinte anos. Regina, a furtiva, me prestou. Caminhamos entretidas de braços dados até o Viena, para tomar um chá, como antigamente.
Quando me dou conta, Regina se esvai em fumaça, deixando-me um cálice de ouro transbordante de licor de anis. A cor, o aroma. Impossível resistir, adoro licor de anis, me abri ao sabor, aroma, cor _ engoli, não como remédio, prazer cem por cento algodão.
O adoravel líquido não era anis nem licor, mas dona Gripe, engolida por mim gota a gota. Eu a otária, a crédula, enfim...
A Gripe entra, rasga-me a garganta _ suas garras venenosas no princípio nem percebidas, talvez percebidas como o toque de um amante, um tanto luxuriante.
Aí doeu. Foi quando pedi socorro à Batida de Limão, que com todo seu desejo de me socorrer, pouco fez. Não exorcizou a bruxa, pelo contrário, sentiu-se humilhada e frenética, tentando se justificar, invocando a ala das mulatas e pandeiros de escolas de samba.
Caí na cama, no lugar de cair no samba. Semana depois me reergui das cinzas, Fenix, sobrevivi.
Conto:
Foi na terça feira.
Hoje, sexta, pareço a sereia de quem a bruxa roubou a voz.
A gripe se transvestiu de mulher _ loira, vestida de seda azul, sapatos dourados.
Eu lá no Largo do Arouche, a confundo com uma amiga de infância, a Regina. Nos abraçamos como se ontem. Não nos víamos há vinte anos. Regina, a furtiva, me prestou. Caminhamos entretidas de braços dados até o Viena, para tomar um chá, como antigamente.
Quando me dou conta, Regina se esvai em fumaça, deixando-me um cálice de ouro transbordante de licor de anis. A cor, o aroma. Impossível resistir, adoro licor de anis, me abri ao sabor, aroma, cor _ engoli, não como remédio, prazer cem por cento algodão.
O adoravel líquido não era anis nem licor, mas dona Gripe, engolida por mim gota a gota. Eu a otária, a crédula, enfim...
A Gripe entra, rasga-me a garganta _ suas garras venenosas no princípio nem percebidas, talvez percebidas como o toque de um amante, um tanto luxuriante.
Aí doeu. Foi quando pedi socorro à Batida de Limão, que com todo seu desejo de me socorrer, pouco fez. Não exorcizou a bruxa, pelo contrário, sentiu-se humilhada e frenética, tentando se justificar, invocando a ala das mulatas e pandeiros de escolas de samba.
Caí na cama, no lugar de cair no samba. Semana depois me reergui das cinzas, Fenix, sobrevivi.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
GREGOS

Apararam os cabelos do menino de dois anos, e no lugar da festa a tragédia: esgoelou de sufocar. Espantada a mãe viu o sangue correr dos fios cortados, e em cada fio, uma pequena serpente que, rabo de lagartixa podado, voltava a crescer. Viviam no reino de Medusa, e a família se apavorou. A deusa malévola certamente não admitiria outro igual em seu universo.
Enviado por precaução ao Templo de Apolo. Cabelos ofídicos faziam dele um ser das sombras. Protegido, porém, por Apolo, o deus solar, a aparência de malvado não desmentia seu generoso coração. Amado pelos que o cercavam. Nenhum homem, mulher ou bicho que olhasse direto sua face ou olhos jamais se petrificou, muito ao contrário, dançava como bambu. Ao crescer tornou-se namorador e fez grandes amigos, entre esses, um tal de Teseu.
Paradoxalmente, a única a se queixar dele foi Medusa. Correria o risco de provar de seu próprio veneno? Encontrá-lo a petrificaria? Ela assim acreditava. Acusava-o de roubo de direitos autorais. Pensava nele com tal arroubo odiento, que o fantasma daquele jovem povoou seus dias e suas noites, foi sua inconteste e grande paixão; sua imagem masculina e especular; seu avesso; o pior veneno de sua existência _ sempre à distância.
Nem Freud explica.
(GREGOS, de Eliane Accioly - Menção Honrosa no Concurso Mulheres Emergentes.
A psicóloga, artista plástica e escritora Eliane Accioly , foi uma das Menções Honrosas do Concurso Mulheres emergentes-de minicontos e poemas.Texto enxuto , oriundo de quem entende a mente humana - e dos deuses da mitologia, conferindo-lhe um sabor singular.
Clevane Pessoa _ jurada))
Publicado por Clevane Pessoa em:
http://www.clevanepessoa.net/blog.php?idb=23221
domingo, 27 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Mínimo Conto
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