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Clarice Lispector
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Para os blogueiros
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Dor humana _ resenha
Filme: A Separação
de Jodaelye Nader az Simin, Irã, 2010.
O filme trata de uma família, a mulher o marido e a filha de onze anos, com visto para emigração do Irã para um país mais livre, onde pudessem criar a filha, segundo eles, em melhores condições sociais. O marido, no entanto, sente-se preso ao constatar a demência do pai _ Alzheimer. A família moderna que deseja sair do país se dissolve no conflito do marido/pai e a esposa, que insiste no plano original. O marido contrata uma mulher para cuidar do pai, enquanto trabalha. Nas falhas do plano, entram em pauta os conflitos religiosos _ a impossibilidade, para uma mulher casada tocar no corpo de outro homem, mesmo sendo este um doente e ancião.
Não se trata de um divórcio à
iraniana. Mas antes de dramas e de pessoas. De seres humanos. Um filme no qual
podemos nos ver apesar de tão diferentes, ou de tamanhas diferenças culturais e
subjetivas. Atravessando as diferenças
podemos nos ver diferentes e semelhantes no ontológico do ser humano, marcado
pela singularidade.
Ainda o País das Neves
O nome da mulher personagem central da trama do livro, Komako, estranhamente deixei de mencionar na resenha récem publicada. País das Neves, de Kawabata, gira em torno de mulheres, suas alegrias, encontros, desencontros, e a paixão em viver a vida em plena intensidade. A mulher e o homem, pois são mulheres que vivem em função do homem, as gueixas, embora uma gueixa tenha o direito de recusar qualquer homem, assim como elegê-lo.
Lendo a orelha do livro, escrita por Marina Colassanti descubro, alegremente surpreendida, que o escritor japonez, apoiando-se sempre em pessoas históricas, para escrever seu romance ao longo de 14 anos, revelou ser Komako, que na vida seria a senhora Kiku Kotaka, casada com um alfaiate, gueixa por ele conhecida quando ainda rapaz.
Ao saber do remio Nobel concedido a Kawabata, teria dito a senhora Kotako: "Agora nossas conversas e seu trabalho se tornarão conhecidos no mundo inteiro."
Na contra capa há a foto de alguém que a princípio tive como homem, delicado e frágil, envelhecido, testa grande e um cabelo que me parece curto e grisalho. Mas a foto poderia ser a de uma mulher magra e ossuda, olhos expressivos, mãos grandes, não propriamente bela, caso da gueixa Komako. Se Kawabata cria uma identidade feminina e desmancha a sua, ou se seria realmente uma mulher não importa, pelo contrário, é a sutileza e o mistério que se encontra na obra do grande escritor da Língua Portuguesa, mestre criador de heterônimos, Fernando Pessoa. Um brinde à Literatura.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
O invisível palpavel _ resenha de Eliane Accioly
De Yasunari Kawabata, País das Neves, romance.
Prêmio Nobel de 1968
Na página título do livro escrevi meu nome e a data de setembro de 1969, quando o encontrei. Na primeira leitura não entrei na trama do autor, como agora, embora o tenha lido. O guardei, e ele me desafiava, a capa branca, ideogramas desenhados em cor bordeaux. A trama do livro, um Chijimi, tecido artesanal tratado com neve e na neve, por tecelãs que vêm de geração a geração, destino traçado antes de nascer. O personagem Shimamura, escrevendo um livro, diz que o Chijimi não é um produto lucrativo, o processo é a própria continuação de uma tradição milenar, e poucos o conhecem. Chijimi s, fios de seda, exigindo o cultivo do bicho da seda, casulos orgânicos, e seus fios como que tirados da neve. Shimamura homem requintado e ocioso usava quimonos Chijimi, tecido delicioso para o verão, cujos fios finos como o pelo de animais, tramados a bem dizer, na neve.
Intuitivamente este livro me acompanha desde então, não me desfiz dele, como de outros. Há uma semana retirei o livro da estante e o li, não digo reli, porque foi outra primeira vez. Anda me acontecendo diferentes primeira vez, Clarice Lispector e Kafka, por exemplo . Os benefícios da idade. Em 1968 eu era uma jovem mãe, uma filha de três anos que carregava comigo por onde ia e passava, talvez até na leitura de livros.
A edição que possuo: Editora Nova Fronteira, tradução de Marina Colassanti, que por sua vez o traduziu do alemão. O título da edição alemã: Schneeland.
A tradução é primordial, e se precisa orgânica como Chijimi, de cuja trama Kawabata se aproveitou em sua arte. Como dizia Haroldo de Campos não há tradução possível da obra poética, mas trans-criação. O que significa trazer para outra língua a frescura criada pelo poeta. A novidade que o poeta nos traz. A transcriação de Marina Colassanti permite o adensamento saturado de uma leitura poética. O livro é poesia, teatro, romance. Arte. Estou impactada.
Um jovem esteta deixa Tóquio e parte a turismo ao País das Neves, região do Japão, no livro, muito especial. (As regiões de todos os países de nosso planeta são especiais). Ali encontra uma mulher que lhe revela outras formas de vidas, outros jeitos de viver além dos que conhecia, apesar de sua cultura cultivada. A mulher, aspirante à gueixa, ao longo dos poucos anos que se conhecem, entre chegadas e partidas, torna-se uma. Vivem seu encontro precário entre a neve e o fogo, não apenas metafóricos, como literais, o frio e o fogo, o congelamento e o incêndio, o amor e a indiferença, o vazio e a plenitude. A precariedade e a força vital do Chijimi, que pode durar várias existências.
O que o livro me revela o ser humano tão diferente em suas distintas culturas e formas de subjetivação, e a essência, sem omitir a singularidade que marca cada um de nós, é tão reconhecível nas camadas tectônicas. Somos camadas e eras, cada um de nós. Quando preciso compreender um pouco mais de ser humana, o que me chama e incendeia é a literatura, não livros teóricos e/ou empíricos. Na literatura me encontro e encontro o outro.
Romance-poema, haicais de Bachô. Sinto-me privilegiada por tê-lo descoberto nos acasos da vida. Marca permanente, parte do tecido do qual me faço.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
TENTATIVAS FRACASSADAS DE NARRAR
Desenho a sombra do cavalete,
na tela, linhas
diagonais matam o equilíbrio
Sobre o desenho pinto um buquê bem colorido,
cores quentes,
a diagonal permanece
Cubro a tela com tinta diluída,
escorre, mais
tinta diluída, muita água, escorre
uso um pano, trapo que, quando perco,
se transforma em serpente, se arrastando e fugindo de mim
O buquê de múltiplas cores torna-se agora amarelo-ocre e branco
e dele parte o tronco de uma árvore,
não me convence, a tela permanece torturada
Cores esmaecem, fantasmas nascem,
a narrativa apenas se esboça,
aperto os olhos, vejo a pintura,
incompletude
(Fico devendo a foto do trabalho!)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
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